orly? i can climb it, i'm older than this shit.
roma, dia 2.
eu já esperava que roma fosse parecida com o rio, porque acredito de coração que quem viu uma cidade turística da magnitude das duas viu, basicamente, todas elas. exceto pelo cairo, claro; mas o cairo eu nunca vi. o que eu não esperava é que roma parecesse com são paulo, mas só com a parte boa: não tem a breguice paulistana, que é o maior horror do brasil.
vou tentar falar fugindo do óbvio, porque o óbvio todo mundo já conhece, graças à internet que é um dos poucos lances que pode te deixar mais esperto nessa vida (a saber: streetwise e variações). então a revelação número um é: OLHAR PRA RUÍNA NÃO TE DEIXA MAIS INTELIGENTE. absorver cultura in loco também é o maior caozinho blablau em que nego acredita (o último garçon que trombei era triglota e tava muito confuso pela distribuição étnica da nossa mesa; acabou optando por conversar em espanhol), deve ter sido alguma coisa inventada por um agente de viagem. não tive muitas chances de falar italiano. o colosseo é uma ruinona com filhos da puta na porta vendendo cerveja por diversos euros e "lembra bastante o maracanazinho em uns dois mil anos". o palatino é uma mega ruinona cartazona gigantona de uns seis mil quilômetros (andei só a metade) sem ninguém vendendo cerveja. então o que é que impressiona, de verdade?
o mármore (que também não te deixa mais esperto).
muitos bagulhos gigantescos feitos de mármore, que à primeira vista são tão impressionantes quanto a praia de copacabana (eu acho copacabana muito maneira, se você não acha, vai passear na paulista e dizer obviedades como "sp é a cidade mais cosmopolita" do brasil, otário). a fontana di trevi impressiona pelo mármore, e eu só conseguia pensar que se eu fosse romana provavelmente encabeçaria um reclaim the streets local, ou que não iria à fonte como nunca fui ao corcovado. divago. a água também impressiona, porque a gente ouve o barulho e sente o frescor já nas ruas que ficam em volta. então, se você acha que mármore e água são boas formas de adquirir cultura, a fonte é o seu lugar.
outra parada que te deixa com a cara do personagem principal do cersibon é o monumento do vittorio emanuele. obviamente não tem nada lá, só mármore. mármore de uns dois mil quilômetros quadrados. mármore maneiro e uns centepoucos anos de histórias passadas que, como todos sabemos há mais de três séculos, este país ama reviver. sei que parece que eu odiei, mas é tudo velho e grandioso e irado de ver ao vivo. tô curtïno à vera.
falando em velho, o metrô é velho também, e embora toda a galera tenha um cheiro muito bom (todo mundo parece que acabou de sair do banho, óbvio, tudo turista), o metrô tem o cheiro de um restaurante gorduroso que foi fechado pela vigilância sanitária por um problema de infiltração. imagino que a escavação dos túneis tenha começado lá pelo ano trezentos antes de cristo, porque conserva a mesma atmosfera da época (ou o que eu imagino fosse a atmosfera da época). enquanto eu descia a escada rolante da repubblica, vi um troço escuro na parede. agora veja bem, não sou nenhuma bióloga ou cientista forense, mas acho divertido alardear que aquilo é black mold. porque afinal era mold. e era black. enquanto discutia com meus outros amigos turistas e a alemoa dizia "yeah, it's just like... mushrooms" ( <3 ), outra FONTANA DI BLACK MOLD apareceu na parede. então, se você reclama todo dia do metrô de são paulo, pense que podia ser bem pior. e se você curte uma cultura de asbestose, por exemplo (ahaha, eu sou tão rápida no gatilho), o metrô da repubblica é o seu lugar.
a comida é tudo aquilo que eles falam mesmo, só que bem melhor. então vô nei fala nd, só que eu comi azeitona in natura e infelizmente o senhor tinha razão, aqui é da europa mesmo e azeitona in natura é viado mesmo.
as pessoas vareiam. a porra da comissária de bordo, por exemplo, criou um caso pra me dar um pacote de sal. talvez seja resquício da invenção do salário romano. teve quem não olhasse pra minha cara, teve quem começasse a falar inglês imediatamente ao notar que eu era turista, teve o garçon, que ficou tentando, e rolou também esses dois caras, um muçulmano bengali e um romano (eu sei pelo sotaque, mané) que gentilmente me acompanharam para mostrar o caminho quando eu pedi informações. então vamos não-generalizar.
tem uma outra coisa que eu esqueci de dizer, que me impressionou de verdade e que eu não tinha descoberto na internet: aqui é tudo mais barato mesmo. tudo. quer dizer, eu ainda não comprei cigarro nem enchi o tanque da minha ferrari (trouxe cigarros na intenção de evitar a facada e não possuo ferrari) mas tudo que eu comprei até agora foi mais barato. digo, uma garrafa de sauza que é importada do mesmo méxico que importa pro brasil custa 10 euros aqui.
bom. por hora é isso. vou vassar porque já é quase uma da manhã e o timo quer visitar tiops uns dezesseis lugares amanhã.
isso que ele é alemão.
1 comentários:
Também achei Roma bem Paulistana, principalmente nas roupas, muito jeans, blusinha... (enquanto que em Paris rolava uns combinações mais ousadas)
Mas não tivemos a mesma sorte com comida, achei a pizza e macarrão fraquíssimos... mas pode ter sido só azar de comer nos lugares errados mesmo. :-P
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