TRY AND LEARN SOMETHING II
ou
tentando consertar metáforas que outrora estraguei

randall always knows it better
eu ia falar de novo sobre a farsa da tl mas... sinceramente. não tem como explicar pras gentes que a literatura é hobby ou arte, as pessoas estão acostumadas a tratar as brincadeiras como ciência. achei tudo bastante chato, agora acho só que é problema delas. quem quiser passar a vida estudando a tristeza na obra de clarice que o faça, deve haver algum prazer escondido no auto-martírio. crianças de dois a três anos, por exemplo, encontram conforto na repetição (e vivem naquele estado cansativo de id).
é aí que eu saio da tl e chego no meu ponto. outro dia percebi que existem (pelo menos) quatro coisas que todo mundo acha que sabe fazer muito bem: cozinhar, escrever, fotografar e googlar. eu faço UMA dessas coisas relativamente bem, e não é porque assim me disseram, é porque eu tenho método, paciência e uma enormíssima auto-recompensa intelectual em encontrar coisas na internet. não é uma ciência dura e não exige grandes conhecimentos (apesar disso, admito que saber algumas línguas ajuda); au contraire, está ao alcance de toda essa geração interconectada (ahaha). o outro catch é que eu faço isso desde meus doze anos, ossia, acho uns 90% do que procuro. algumas coisas não estão lá e um bom exemplo disso... sou eu (açaíra, lucy tantamount, lila, lol. quem, mesmo?).
voltando ao quad, curiosamente, nenhuma das quatro coisas é engenharia química, significando que elas "não "precisam de estudo" ou que para sua realização seja imprescindível a compreensão de um tópico anterior. nossos avós provaram meu ponto quando fizeram profiles com fotos de comida caseira no facebook e nos adicionaram. all bases covered.
veja só, é bem provável que fazendo uma coisa diariamente por algumas horas durante dezesseis anos você aprenda. hmmmm. provável não quer dizer que seja só isso. no caso de escrever, por exemplo, as duas coisas que vão te algemar na incompetência são a preguiça intelectual e a falta de conhecimento, ambas resultantes de orgulho, ausência de auto-crítica e confiança na opinião dos outros. sempre vai ter gente pra te dizer que o que você fez é bom (de novo, nossos avós) e geralmente essas pessoas gostam das coisas porque gostam de você, ou porque não tem padrões altos. talvez esse tipo de elogio seja o bastante para te convencer; até aí... cada um com sua clarice.
eu já escrevi de forma profissional, o livro que escrevi como ghostwriter já foi publicado. meus amigos costumam me elogiar mas isso não desnorteia minha bússola. a percepção deles sobre o texto é diferente da minha, os elogios não vão me convencer de que eu escrevo bem e ter escrito um livro não faz de mim uma escritora, não da forma como eu conceituo a coisa. ouvir que escrevo corretamente está mais próximo da realidade embora uma constatação não seja exatamente um elogio e meu "mérito" esteja fundado apenas em atenção e método. pra falar o óbvio, a técnica pode ser aprendida - a culinária é um exemplo prático - , o talento não. eu sei escrever, a criança de seis anos também sabe, a compreensão da técnica não nos torna particularmente talentosas.
há alguns anos desenvolvemos um estilo linguístico que era divertido e a princípio foi bastante incompreendido. cinco anos se passaram e a difusão fez com que o estilo se tornasse um tipo de padrão. deus sabe o quanto tenho fugido desse humor abaunilhado, cuja graça atualmente se aproxima dos stand-ups do cqc. as onelines sentenciosas de duas, três palavras que viraram uma metástase. raphael me disse uma vez que nós tínhamos criado um monstro, infatti, temos aí uma criatura disforme, transformada na falta de estilo, também conhecida como a falta de talento.
sei fazer várias coisas gostosas mas não sei cozinhar pra caralho. trabalhei em quatro restaurantes e posso dizer com alguma propriedade que não aguento a pressão da cozinha. vi um monte de chefs fazendo merda, comida feia, comida fedida, sempre com a certeza de que estava uma delícia. e pra um monte de gente estava mesmo. vi gritarem que se o cliente queria o filé bem passado ia comer bolacha. todo mundo lida bem com elogio e acha que a crítica negativa é um ataque pessoal, principalmente chefs e escritores. jesus. o que está sendo feito nas duas áreas não JÁ É irrelevante e não vai ser um legado pra humanidade, é a discussão da mesa de chá. now grow a pair and act your age.
vamos resumir a coisa em tópicos. se você está lendo isso, provavelmente...
a) você não escreve bem;
b) você não cozinha bem;
c) você não fotografa bem;
d) e você não goorgla bem.
você só acha que faz essas coisas bem. caia na real.
1 comentários:
Eu não faço nada destas coisas bem, hoho. X-D
Não podemos nos esquecer daquele povo que acha que faz sexo bem também. ;-)
p.s - Aliás, vc que conhece este lance de linguagens de internet, de onde surgiu este "TODOS CHORA", "TODOS COMEMORA"? não sei de onde surgiu...
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