9.8.10

VOCÊS


- are you trying to tell me you don't get worn down by expectations?

- i'm trying to tell you i like being in control.
i like osetra better than beluga,
i like añejo better than reposado,
i like blondes who can suck the yellow out of a canary better than brunettes with great asses.
i like them when i want them, and i like them how i want them.
which means, merrill, no matter how hard you try, you could never be like me.


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PARTE SEM RECEITA (lá embaixo tem receita)
moi aussi, doc troy (though i don't agree with your choice of blowing blondes.)

embora eu goste dos discursos do troy, não era exatamente sobre ele que eu estava pensando. era mais sobre a parte de getting worn down by expectations. e eu pensava nisso porque tenho acompanhado VOCÊS, meninas, blogando blogs por aí. eu leio e leio, viciada no monte de tricô torto que sai de seus dedinhos, no how my life sucks & no how my life rocks, no 'eu sou um gênio esperando a descoberta do mundo' e nos 'agora vou dar a real da minha ficção', como se alguma de VOCÊS fosse o mr catra (se liga na responsa que o papo é reto / então vou eu).

aconteceu num desses momentos mágicos em que eu estava deitada na cama com meu marido, quando contei pra ele sobre VOCÊS. adianto que meu marido não é nenhum tipo de crítico literário ou homem muito lido (assim como eu não sou), e embora eu adore falar do quão maravilhoso ele é, a história aqui segue outros caminhos. eu contava pra ele nessa hora da cama que por mais que eu leia VOCÊS, dificilmente acho alguma coisa boa, e mostrei uma coisa bonitinha, que era a uma coisa certa em pelo menos quarenta tentativas erradas.

antes de chegar no meu ponto, vou dizer que as pessoas não têm dificuldades em assumir que não sabem dançar, desenhar, pintar ou até mesmo fazer música; mas ninguém admite que não sabe escrever, ou que escreve mal. VOCÊS simplesmente supõem que possuindo alguma técnica ou sabendo umas regrinhas escrevem bem. breaking news? escrevendo VOCÊS são um NO-NO-NO, assim como minha bunda é um NO-NO-NO pra centerfold da playboy. no, no, no.

e foi então que eu - nivelando por baixo - disse ao meu marido, meu bem, imagine se a cada dez vezes em que eu fizesse um, hum, ahm, uma pasta alla carbonara, a cada dez vezes, eu disse a ele, apenas uma saísse boa. melhor, continuei, bom não, certo, apenas certo. digo, (assim como VOCÊS) eu sei ler e escrever desde os quatro anos de idade, e faço carbonara desde os oito. now well-well, a parte de ler e escrever não se mostrou um verdadeiro talento, embora a de cozinhar tenha dado frutos, e foi por isso que eu tomei a liberdade (podem chamar de heresia) de temperar minha pasta com cebola frita no óleo saturado do bacon (hm? o oliver põe limão no pesto).

VOCÊS aí fora, ouvindo a música dos THE BEATLES e se sacudindo, já imaginaram se a cada abbey road, apenas uma das músicas tivesse o valor de "here comes the sun"? VOCÊS, comendo pringles, o que me diriam se os sabores oferecidos fossem fígado de porco, dobradinha, miúdos, haggis, alcaçuz, marquise au chocolat, coentro & dill, havana, hákarl, casu marzu e original?

VOCÊS são meu pringles sabor chá de óleo, meu yellow submarine, meu grant morrison trabalhando como editor. VOCÊS são RUINS PRA CARALHO, e eu continuo lendo, porque são esses erros que mantém minha auto-crítica em níveis escrotosféricos. VOCÊS são minha clarice lispector, infeliz pra burro, lamuriante, doida por atenção, boa apenas pela piedade acadêmica. e eu vejo isso daqui do sítio, enquanto brinco com as cachorras, tomo um monte de añejo e dou eternamente pro dean martin (meu marido não lido). pensem em mim como a hilda de suas vidas: vocês passarão o tempo todo se importando e implorando olhinhos. talvez meu rant sirva para ajudar VOCÊS a aumentarem suas auto-críticas. assumir a imperícia pode ser um passo para largar a tricotagem, só depende de VOCÊS. *a vida tá dando a dica, não é sofrimento*.

add: e vocês nunca terão a classe da harpias, também.

PARTE COM RECEITA
enquanto escrevo isso vejo como estou perdendo o fio, afinal, esse é um blog de culinária (innit, eejit?). falemos então de carbonara. a primeira receita que li foi num livro de massas, sopas e tortas, chamado "cozinha mágica", e editado pela abril, traduzido da elle (1973 pra cima). assim como a receita de pasta com limão do oliver não é chamada de pesto, a minha não é o carbonara original, e eu sempre explico isso antes de servir.


reproduzo essa como base, e já aviso que cebola vai bem melhor que alho, ou salsinha (!), como tem gente que insiste em fazer. uso 2 ou 3 gemas, pra apenas uma clara. o carbonara original leva um ovo quebrado, cruzão, EM CIMA da pasta, como o batali sugere aqui, e eu sei que que também não leva creme, mas discordo da ausência de manteiga. o parmesão sugerido por ele tem de ser ralado até virar pó. parece bem fácil, mas leva muito braço pra incorporar o molho na pasta, é difícil de fazer. tenham uma boa experiência em suas casas, e levem sempre a sabedoria de que existe alguém mais qualificado pra fazer o que VOCÊS fazem. seja na cozinha ou no teclado.

2 comentários:

Santiago disse...

Eu não concordo muito com a idéia de largar a tricotagem não, é sério! Não to naquelas de ser o contraponto, sem bem que eu curto. É que tem gente que tenta e tenta, e nunca consegue fazer nada, tem gente que faz tanta coisa que não consegue levar uma vida que preste. É bem verdade dos dois lados, mas acho que o Thom Yorke, o Leonard Cohen e muita gente "corte os pulsos" firmeza nem passa perto da malinha da Clarice né. Eu gosto de mulher reclamona também, me inspiro muito nelas =)

Santiago disse...

Eu não concordo muito com a idéia de largar a tricotagem não, é sério! Não to naquelas de ser o contraponto, sem bem que eu curto. É que tem gente que tenta e tenta, e nunca consegue fazer nada, tem gente que faz tanta coisa que não consegue levar uma vida que preste. É bem verdade dos dois lados, mas acho que o Thom Yorke, o Leonard Cohen e muita gente "corte os pulsos" firmeza nem passa perto da malinha da Clarice né. Eu gosto de mulher reclamona também, me inspiro muito nelas =)