13.7.10

bazuca: azar pra leilo, azar pra samúdio

a essa altura todo mundo deve estar achando que eu sou flamenguista. não sou. torço pro fluminense, mas antes disso, sou muito apaixonada pelo rio e adoro uma justicinha. não a midiática, ganhada no grito, que refaz o caso escola base cada vez que acontece alguma tragédia, mas a pensada, com apuração, julgamento e punição ou absolvição. o caso do bruno é '''~inincomentável'~''`~~, não dá pra deixar passar. e curiosamente, mesmo tendo visto depoimentos conflitantes (o caseiro diz que viu bruno na piscina com eliza / o menor diz que ela foi espancada o tempo todo) e um trabalho policial SUPERJOÍSSIMO, mesmo sabendo, como me disseram, que o bruno não é um "prêmio nobel da física" (ou seja, não é nenhum gênio), custo a acreditar que o caso esteja se desenvolvendo direito. o que mais me espanta é a condenação social, que queiram vocês ou não, é reflexo do datena, da veja, da coisa toda. vi uma ÚNICA opinião destoante no mar das certezas absolutas, vinda do meu mui querido ronaldo. ao redor dela repercutiu um monte de hatemail, do tipo MORRA ESQUARTEJADO BRUNO O CAPETA TE ESPERA DE BRAÇOS ABERTOS. gente, que vontade de fazer naninha gostosa quando vejo essas coisas. o gaz não estava nem defendendo o bruno - assim como eu não estou - , então tentem só pensar por fora da casinha durante alguns minutos. pode ajudar na criação de uma posterior visão crítica, que pode ajudar na vida de vocês etc. aliás, tanto não estou que vou só comentar sobre o trabalho jornalístico da veja mesmo, sem nem dar minha opinião sobre o caso.

então vejamos a veja, edição de 07/07/2010

a capa traz o principal: "traição, ORGIAS e horror". porque claro, a veja não é sensacionalista, está apenas cobrindo o assunto de modo imparcial. e orgia é uma coisa horrível, não é mesmo, minha gente? no-jen-ta, fala muito sobre o caráter da pessoa e pouco sobre A OPÇÃO QUE ELA FEZ NUM MOMENTO DE LAZER.

na página 12 temos uma explicação sobre a cobertura. a revista fala sobre o que é sensacionalismo e o que é reportagem de verdade. e o texto termina assim:









aí vem a reportagem propriamente dita, e logo no começo ela nos dá essa pérola chocolícia:



"ambiente de sordidez". mmmmmmas... a reportagem não era imparcial? chamar o ambiente de sórdido não é um julgamento de valor pessoal? o que marquês de sade acharia disso? houaiss, conta pra gente:

sordidez
Datação
1619 cf.

Acepções
■ substantivo feminino
característica ou estado do que é sórdido
1 grande sujeira; imundície
2 Derivação: por metáfora.
ambiente de degeneração moral
3 Derivação: por metáfora.
comportamento indigno, baixo, mesquinho, desumano; infâmia, torpeza, vileza
Ex.: envergonhou-se daquele ato de s.
4 Derivação: por metonímia.
ação sórdida
Ex.: ele tenta esconder a s. que praticou
5 Derivação: por metáfora.
avareza extrema, repugnante

pô, antônio, continuei boiando. orgia e traição são sórdidos mesmo quando a pessoa que poderia ser a principal ofendida (dayanne) não parece se importar? alguém cogitou a hipótese de um relacionamento aberto? de que ela estivesse na festa? perguntaram pra ela se o marido é imoral? não? bem que eu imaginei.

então vem a explicação. bruno conheceu eliza numa festa.



eu podia me fazer de bem doida e interpretar "era uma orgia só" como "foi apenas uma orgia, uma orgia de nada", mas pelo que parece, o bruno estava dizendo que a festa é que tava bem doida. olha. se eu ganhasse 200k por mês, minhas festas seriam BEM MAIS DOIDAS que uma surubinha. galera amontoada fazendo sexo tem EM TODO LUGAR, da primeira vez pode ser divertido assistir, mas logo na segunda perde a graça. então peraí, deixa ver se eu entendi:

não eram ORGIAS, como a capa anunciava, mas UMA ÚNICA FESTA? então o bruno não disse que FOI A ORGIAS, mas que conheceu eliza numa festa que era uma orgia, e que essas festas SÃO COMUNS NO MEIO DELE? olha só. se comer uma mulher numa festa é considerado orgia e sordidez, deviam logo acabar com o carnaval da bahia (certo, deviam acabar com ele de qualquer forma, mas isso é um JULGAMENTO DE VALOR, feito POR MIM a respeito do carnaval bahiano. sacaram a diferença?).

enfim. como sensacionalismo NUNCA É DEMAIS, e como já tinham comprado a foto mesmo, resolveram falar do adriano. a revista exibe a foto com as duas réplicas (RÉPLICAS, é assim que chamamos uma cópia infiel ao objetivo original) e o seguinte comentário: "o atacante adriano, hoje no roma, posa com arma. ele diz que era de brinquedo". não, meu amigo, nada disso. ele disse que uma era de paintball e outra era um cabo de abajour, o que pode ser facilmente confirmado se você souber pesquisar aqui. na verdade a culpa é minha, eu sei que INSINUAR é mais fácil que PESQUISAR, mas continuo achando que JÁ CHEGOU INTERNET NA REDAÇÃO DA VEJA.

mas esperem, tem mais, e eu guardei o melhor pro final. como a ignorância é um presente, a página 84 tem a cereja do bolo. não vou comentar tudo (como o vagner estar indo no lugar em que nasceu) porque já entrei no mérito antes:



eu não sei vocês, mas a última vez em que ouvi a palavra "bazuca" eu ainda jogava mega drive. tô tendo uma certa dificuldade em identificar as armas, deixa eu fazer uma pesquisa:



o que é uma bazuca? wiki, dá uma ajuda?

"Bazuca é o nome popularizado para o lança-Rockets/lança-rojão, uma arma portátil antitanque em forma de tubo."

lança-rockets? AH! um lança-míssil, CLARO! cadê ele na foto? eu particularmente tô vendo um assault rifle de madeira e um rifle customizado.

no fim das contas, devo estar enganada. afinal, a veja pôs 11 repórteres em campo trabalhando na reportagem, para investigar, apurar, checar e preferir a verdade. sempre desnudada.

8 comentários:

Fernanda disse...

é, gata, contei sua teoria hoje pra um amigo e ele também achou que faz mais sentido. o Bruno não é o prêmio nobel da física, mas também [comentário politicamente incorreto] não é a Clarinha de Páginas da Vida, néam.

lol disse...

meu amor, a gente ainda vai pro inferno por fazer piada com sindrômicos.

só espero que o bruno não esteja lá quando chegarmos :D

Fernanda disse...

ainda bem que não acredito em "lei do retorno", "karma" e coisas do gênero, sabe? ou estaria cagada de medo aqui esperando o castigo divino em forma de feto.

lol disse...

demorou tu baixar uma lei a favor da histerectomia em mulheres sem filhos, hm? aí a gente nunca mais corre o risco :D

Harlequinade disse...

Eu não faço a menor idéia do que tá se passando bem porque não tenho TV, mas eu vi a capa da Veja e achei horrenda, digna do SUPER (tem SUPER aí onde você mora?) - enfim, digna de tablóide. Agora. Bater na Veja não adianta. A FUTILIDADE DESSA MERDA TODA ME INCOMODA. Caso Glauco: a superfoda antropóloga Bia Labate postou altas análises críticas da matéria da Veja, da Epoca, do caralho, em sites até minimamente acessados (acho que era Caros Amigos). Quem leu e tem interesse em raciocinar aplaudiu, quem leu e não tem interesse, reagiu de forma nonsense e emocional e xingou todo mundo de drogado. E o mundo continua. Quem vai ler no seu blog sua crítica provavelmente vai concordar com você, o resto do mundo vai continuar a navegar o barco nonsense da Veja, e não tem solução, bater na Veja é quase um exercício performático, quando bem feito é bonito, mas não faz a menor diferença. Eu to cansado admito. To dando graças aos deuses de não ter TV e sou só eu que tenho a sensação de que esses escândalos tão ficando mais comuns? Caso não sei quem Nardoni, não sei qual assassinato de classe média ou classe alta que chocou a sociedade brasileira, e de novo e de novo, 24h por dia. Eu leio SUPER e tem casos muito mais escabrosos todo dia, aos montes, e só porque é com gente pobre, necas de pitibiriba de cobertura. Não que devesse ter, também. WHO CARES (todo mundo cares menos eu as it seems). Anyway. Boa performance. Beijos =*
~Iago

lol disse...

como diz nosso querido jp, TOMOU UM AR, hem?

mas eu fiz não foi nem pra CRIA POLÊNICA ou pra escrotizar o jornalismo-de-valor, foi mais pela BAZUCA mesmo. bazuca. nego quer falar sério e me escreve que o cara tinha uma BAZUCA. os maluco que derrubaram aquele helicóptero deviam ter um tanque de guerra, então.

e aqui não tem super. manda uma pra mim, iacobus? eu costumava ler o povo (do rio) no colégio. era bom pra desanuviar das aulas, mas deve ser tipo o super.

Johnny P. disse...

Iago pegou mais ar do que um pneu de trator! kkkkkkkkk :P

Quanto ao assunto do post, é apenas o espetáculo do dia a dia acontecendo, e é isso aí.

Johnny P. disse...

Iago pegou mais ar do que um pneu de trator! kkkkkk :P

Quanto ao assunto do post, é apenas o espetáculo do dia a dia rolando, e é isso aí.